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O consumo de vinhos no Brasil

 TAGS:Consumidores de cachaça e cerveja, os bares, parecem não ter o hábito de servir vinho. Inclusive, muitas vezes, os compradores escolhem vinho de uvas de mesa ou híbridos, em detrimento do vinho elaborado a partir de uvas de vitis vinifera ? vinificáveis ? como o Cabernet Sauvignon ou Merlot, por exemplo.

Segundo os estudos de mercado, dos 350 milhões de litros de vinho produzidos anualmente no Brasil, 268 são de vinho comum e 82 de vinhos finos. Porém, aquilo que os nordestinos parecem desfrutar cada vez mais, são as borbulhas. Em 2007 foram comercializados neste país, 12 milhões de litros de espumantes; sendo 7 milhões e meio, provenientes de adegas locais.

Famosos pelos seus frescos e refrescantes Prosecco ? espumantes elaborados com a casta Prosecco- no Brasil produzem-se espumantes pelo método charmat (do ano e em tanques de aço inoxidável) e pelo método tradicional, ou champenoise, obtendo uma bebida densa e com oleosidade, resultado de quase dois anos de repouso do vinho com as leveduras.

Este país, destaca-se igualmente pelos seus espumantes doces tipo Asti, de uva moscatel, com alta concentração de açúcar e baixa graduação alcoólica, bastante frutados e fáceis de beber.

Ao contrário dos restantes, acredita-se que os melhores exemplares desta bebida se encontram em vinhas localizadas na linha do Equador, concretamente no Vale de San Francisco. Até há alguns anos atrás achava-se impossível elaborar vinhos de qualidade em climas tropicais.

Pelo contrário, atualmente, os enólogos locais afirmam que, ainda que o cultivo nos trópicos desgaste as plantas rapidamente (a fruta amadurece duas vezes por ano) as uvas obtidas possuem uma grande concentração de açúcar, ideal para a produção do espumante tipo Asti. Inclusive as garrafas produzidas na zona, pela Miólo Wine Group, uma das caves mais importantes do país, foram catalogadas como sendo as melhores do Brasil. Esta empresa foi das primeiras a descobrir o potencial do país, quando o seu diretor, Adriano Miólo, teve a visão de contratar como consultor em 2001, o enólogo francês Michel Rolland.

Foi tal o interesse dos franceses no desenvolvimento da industria do vinho e do espumante na zona, que a multinacional Moët Chandon abriu uma fábrica em Garibaldi, única e exclusivamente dedicada a abastecer o mercado interno.

O diretor de enologia de Chandon, Philippe Mével, declarou que tinham inaugurado a cave porque ?o consumo de espumantes no país era imenso e o potencial de produção, incrível?.

Em funcionamento desde 1998, a empresa elabora apenas produtos para os níveis mais altos do mercado ? Reserva Especial, Excellence e Pasión (espumante rosé) ? e domina as vendas na margem que parte dos 30 reais. ?Produzimos espumantes leves, frescos, fáceis de beber. Uma particularidade de Chandon Brasil, é que adicionamos aos espumantes uma percentagem de Riesling itálico, uma casta diferenciadora e de expressão única neste terroir?, explicou Mével.

Vinho da Madeira ou Vinho Torna Viagem

 - O Vinho da Madeira, também conhecido como generoso madeirense, ou Vinho de Torna-Viagem é produzido na Ilha da Madeira há mais de 500 anos. Precisamente porque os barcos saiam da ilha carregados deste vinho, na época considerado de 3ª, foi possível descobrir as poderosas consequências da fermentação. O vinho, guardado nos porões dos veleiros durante mais de um ano, devido ao calor acumulado sobretudo durante as travessias da Região Tropical, transformava-se num magnífico néctar à chegada da viagem.

 Este vinho licoroso, fortificado e com um grau alcoólico entre os 17º e os 22º é envelhecido em barris de carvalho sob um processo lento, óxidativo e concentrado, a partir de cinco castas de uva tradicionalmente utilizadas:

Malvasia ? Foi uma das primeiras castas a chegar à ilha na primeira metade do séc XV. Produz um vinho doce, com aroma e paladar similares, a frutos secos e toques de mel, que harmoniza com queijos, chocolate e um bom charuto.

Verdelho ? Produz um vinho meio-seco, fresco, com sabores de ananás muito maduro e nariz tropical. Acompanha bem uma sopa leve ou queijos ligeiros.

Sercial ? O produto é um vinho seco, com aromas cítricos e de caramelo. Apropriado como aperitivo e combinado com frutos secos e azeitonas.

Boal ? Produz um vinho meio-doce, com aromas de mel e paladar a caramelo. Acompanha bem com fruta, queijos e sobremesas.

Tinta Negra ? É o resultado do cruzamento das vinhas Pinot Noir e Grenache. Produz as 4 variedades anteriormente descritas.

Quando a fermentação passou a terra firme, desenvolveram-se 2 tipos de técnica: a do vinho canteiro, fermentado em pipas, nas partes mais altas e quentes dos armazéns nos primeiros anos, que vai descendo nos andares à medida que envelhece (pode ser bebido ao 4º ano); e a do vinho estufado, aquecido em tanques durante 3 meses a 55º e que pode ser bebido a partir de 3 anos.

Os grande tipos de Madeira dividem-se em: Blend, vinhoscom várias idades (idade média de 10 anos) e da mesma casta; os Colheitas– são vinhos associados com uma só safra e uma só casta, que podem ser bebidos a partir de 4 anos mínimo; Vintage (frasqueira) que envelhece no mínimo 20 anos e depois passa uma prova que o autoriza, ou não, a ser engarrafado. São vinhos longevos, de grande acidez e frescura (existem vintages de 1795 em perfeito estado).

A nossa sugestão de compra na Uvinum é um Torna-Viagem, Henriques & Henriques Sercial 10 Anhos 50cl, um vinho generoso, de uma das empresas produtoras mais antigas da ilha e também das poucas que possui vinhedo próprio – Freguesia da Quinta Grande.

 

 

Envelhecimento dos vinhos tintos em garrafa

 TAGS:A diferença entre os vinhos brancos e os tintos é a de que estes têm taninos presentes na casca e nas grainhas da uva, incorporadas ao vinho durante a fermentação. Os taninos, de grande poder antioxidante, determinam a capacidade do vinho tinto envelhecer: quando se desenvolvem dentro de uma garrafa, a bebida muda a cor do vinho, passando dos tons violáceos, aos vermelhos alaranjados, desaparece a adstringência e nos envelhecidos aparece o bouquet aromático.

Os chamados tintos ?novos?, elaborados com uma maceração curta e com um período breve ou nulo de passagem pela madeira, devem ser consumidos no seu primeiro ou segundo ano de vida. Geralmente os seus taninos já são suaves quando saem ao mercado e devem o seu maior atrativo aos aromas frutados. Apenas envelhecem bem os tintos que têm muitos taninos, muita cor, boa acidez e que têm abundante variedade de aromas.

A quantidade de taninos depende tanto da cepa como do processo de elaboração. Existem variedades como a Tannat ou a Cabernet Sauvignon, que tendem a dar vinhos com mais estrutura e por isso com maior longevidade. Por outro lado, a Merlot que é menos tânica, temtendência a dar vinhos mais suaves, com menos oportunidades de envelhecimento em garrafa.

Tão importante como a cepa utilizada é o processo de elaboração. Para que os taninos da uva passem ao vinho, é imprescindível haver um contacto prolongado do mosto com a casca da uva e ainda uma temperatura de fermentação que ronde os 28º, 30ºc. Se além disto, o vinho se desenvolve em barris de carvalho novo, capazes de ceder os seus próprios taninos, terá mais possibilidade de envelhecer de forma saudável.

Também é necessário que o vinho novo tenha uma acidez firme, porque com o envelhecimento os ácidos tornam-se mais suaves e menos agressivos, e se não é assim, o vinho tende a perder vivacidade e fica apagado.

Durante o envelhecimento em garrafa o vinho perde os aromas característicos de cada cepa, porém, incorpora outros mais pesados e complexos, desenvolvendo o bouquet, conjunto de aromas, dos vinhos velhos.

Os aromas da Primavera e do Verão dão lugar aos odores próprios do Outono e do Inverno. As flores e os frutos vão-se esvaindo e aparece a amêndoa, a avelã, a lenha, as folhas secas, o aroma das trufas, o café e o tabaco. Apenas os vinhos abundantes em variedade de aromas adquirem bouquet; os outros apagam-se, secam, uma vez que se atenuam as suas nuances frutadas.

Degustar ou provar um vinho

 TAGS:Degustar ou provar? Na verdade ambos são sinónimos, ainda que talvez o primeiro tenha melhor aceitação entre aqueles que se sentiram atraídos por uma garrafa de vinho, que sentiram o prazer de degustar um bom vinho e pretendem que a experiência se repita, sem que por isso sejam convertidos em peritos, ou em críticos da famosa bebida. É habitual associar o termoprovar aos peritos da degustação de vinho, ainda que não necessariamente deva ser tomado dessa forma.

Hugh Johnson, um perito do mundo do vinho, dizia num dos seus livros:

?Muito vinho de boa qualidade, inclusive grande vinho, é desperdiçado. Flui sobre línguas e através de gargantas não sincronizadas com ele, não recetivas ao que ele lhes pode oferecer. Pessoas preocupadas ou absorvidas numa conversa, que acabam de ingerir uma bebida alcoólica forte que entorpeceu o sentido do gosto, ou que comeram uma salada com vinagre que impôs o seu sabor, ou ainda que, simplesmente, ignoram em que reside a diferença entre um vinho comum e um grande vinho. Nada do que possa fazer um vinicultor, exclui a necessidade de um bebedor sensível ou interessado?.

A degustação é a capacidade de transformar um ato comum e quotidiano, em outro que seja mais reflexivo, com maior atenção no que se está a fazer. Quando se prova ou degusta um vinho, tentamos decifrar os seus segredos, obter num gole a maior informação possível sobre o produto. Os peritos chamam-lhe características organolépticas, entre nós referem-se ao aroma, a cor, os sabores ocultos do vinho.

Quando visitamos uma cave, possivelmente nos convidem à sala de degustação e é provável que a escassa decoração nos chame a atenção. A falta de adornos ou elementos com capacidade para desviar a atenção, tem uma simples razão: Todos os sentidos devem estar subjugados ao vinho a degustar. Inclusive os provadores profissionais, geralmente enólogos, devem concentrar-se ao máximo e é por eles que estas salas têm habitualmente mobiliário e decoração austeros. Segundo os peritos, na degustação ou prova de vinho apresentam-se diversos fatores: o estímulo, a sensação e a perceção. Primeiro, obviamente, está o vinho a degustar, a sensação é um fenómeno subjetivo, que depende da estimulação dos sentidos e por último, temos a perceção que interpreta as sensações.

É justamente este último fator, a perceção, que requer aprendizagem, de modo a conseguir a sua independência em relação a experiências anteriores, para que seja objetiva. É importante ter presente que a classificação de um vinho como ?saboroso? dependerá de apreciações pessoais, no entanto, quando se fala de um vinho seco ou adstringente, faz-se referência a um adjetivo mais objetivo, já que são conceitos que se podem partilhar.

 

Variedades de uvas brancas

Hoje apresentamos alguns tipos de uvas brancas, que produzem vinhos com tons desde o amarelo-palha até ao dourado intenso. Convidamos-vos a comprar vinho,de qualquer uma das denominações que aqui sugerimos, na Uvinum.

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Albariño

A albariño, é uma variedade de uvas com origem na Galiza, que produz vinhos de cor amarelo-esverdeado, com aromas florais e frutados bem marcados. Quando acabado de fazer é ligeiramente ácido, porém, com o correr do tempo, vai adquirindo toques de maçã madura e rebuçado de mel. Os peritos descrevem a uva Albariño como tendo perfumes semelhantes ao do feto, das flores brancas e do feno fresco, com um sabor parecido ao do pêssego maduro. Dá vontade de o provar!

Chardonnay

Habitualmente vinificada para ser consumida no mesmo ano, a Chardonnay, é a variedade branca mais apreciada e fácil de cultivar, devido a que suporta todo o tipo de climas e é ótima para ser fermentada ou envelhecida em barris de carvalho. Os provadores costumam associar esta uva com aromas de manteiga fresca, avelã e pão, para depois dar lugar às frutas tropicais, ao melão, banana e ananás.

Sem passar por madeira, ganha uma boa acidez, além de aromas cítricos de toranja e maçãs verdes, inclusive podem ser reconhecidas frutas doces como o damasco. Fermentado e envelhecido em barril, o vinho de Chardonnay oferece menos acidez e mais corpo, com notas de baunilha, mel, rebuçado e lácteos.

Gewürztraminer

Com uma uva de cor rosa amendoado e, a partir de que gewürz significa especiaria em alemão, esta é uma variedade que faz precisamente referência a estes aromas e sabores. AGewürztraminer é caraterizada por ter uma grande presença de fruta e toques florais, semelhantes aos da Torrontés argentina e aos moscatéis. Em boca é comparada com a toranja madura e inclusive, com a manga.

Sauvignon Blanc

Com uma presença marcada de notas que lembram maças verdes e goiaba, assim como espargos e ervilhas, na Sauvignon Blanc, costuma encontrar-se também com bastante frequência, o odor da erva acabada de cortar.

Torrontés

A Torrontés é a cepa branca, emblema dos vinhos que se produzem na Argentina. Pode ser distinguida pelos florais intensos que lembram a uva Moscatel e que tem ainda um toque de rosas. Evoca aromas de frutas tropicais, como o do ananás e da banana, mas, ao mesmo tempo oferece notas vegetais, semelhantes às do gerânio e do funcho.

Languedoc-Rousillon, terra de vinhos

 TAGS: Em 1987, devido a uma crise do setor agrícola, alguns pioneiros da zona organizaram a união de viticultores e criaram uma nova identificação para as suas etiquetas: Vin de Pays d’Oc, um vinho comum de mesa, regional e com garantia de qualidade. Para conseguir vender as suas produções a preços acessíveis, apostaram por variedades apreciadas internacionalmente. Deste modo, com novos métodos de colheita e vinificação, começaram a produzir variedades semelhantes aquelas que o mercado já consumia.

São 40 as denominações de Origem que derivam da variedade de solos, clima e cepas de Languedoc-Roussillon. A mesma diversidade que confere o poder de converter esta região numa das esperanças de maior desenvolvimento e potencial de França.

No entanto, foi a dedicação que o seu povo depositou no turismo e na agricultura, que permitiu ao Sul do país ser reconhecido pela variedade dos seus produtos e pela sua saborosa cozinha.

Entre os ingredientes básicos encontram-se o azeite, alho e manjericão, juntamente com os aromas das ervas da garrigue provençal (mata), como o tomilho, rosmaninho e loureiro, que completam as especialidades rurais e litorais da zona. Tudo isto sem contar com as suas extensões de vinha, que representam o 40% das plantações francesas.

Na costa do Mediterrâneo, desde Nimes, até às margens do Rio Aude, Languedoc divide-se em sete zonas: Coteaux du Languedoc, Minervois, Fitou, Malepére, Corbiéres, Cabardés e Limoux. A primeira, Coteaux du Languedoc, é conhecida por ser o lugar mais antigo de produção de vinho de França. Destacam-se os vinhos tintos, ainda que também se elaborem alguns rosés e brancos. Minervois localiza-se entre o Canal du Midi, para Sul, e a Montagne Noire para Norte. Os seus tintos são rústicos e são aconselháveis para acompanhar carnes vermelhas; enquanto que os brancos são ideais para servir com marisco e peixe branco.

Por outro lado, Fitou, segundo os historiadores, é o lugar onde os gregos plantaram as primeiras vides e estende-se desde Narbonne e Perpignan até às montanhas de Corbiéres. Caracteriza-se por produzir vinhos tintos encorpados e com aromas complexos de especiarias e fruta madura. Malepére, por sua vez, é rodeada pelo Canal du Midi e pelo Rio Aude, destacando-se pela elaboração de rosés.

Com mais de 23.000 Hectares, Corbiéres abarca Carcassonne, Narbonne, Perpignan e Quillan e divide-se em 11 zonas, por tipo de solo e condições climáticas. 90% dos seus tintos são novos, leves e de sabor frutado. 6 rios regam as suas ladeiras e socalcos, em direção à Montagne Noire e dominando a Cidade de Carcassonne. Graças à sua situação entre Languedoc e Bordeaux, tanto as variedades de uva atlânticas (Merlot, Cabernet Sauvignon, Franc, Malbec e Fer Servadou) como as mediterrâneas (Syrah e Grenache) crescem bem aqui.

A história conta que Tito Lívio, há 2000 anos, elogiou os vinhos brancos de Limoux. Depois, em 1531, um monge beneditino descobriu o processo natural que converte os vinhos comuns em espumantes, e então nasceu oprimeirochampanhedo mundo, hoje em dia, o 95% da produção da região, com o Blanquette de Limoux, o Crémant de Limoux e o Blanquette Méthode Ancestral. Assim, o Blanquette de Limoux, o brut mais velho do mundo, é o resultado da montagem de pelo menos um 90% de Mauzac e um restante Chardonnay e Chenin.

A época da vindima

 TAGS:Tudo chega a seu tempo e esta regra também se cumpre no mundo do vinho. Ainda que ?regra? seja uma forma de lhe chamar, já que, como há uns anos atrás me dizia um professor de enologia, para fazer vinho não existe uma receita.

Mas não há desacordo sobre o facto da importância da época exata, em que se faz a apanha da uva, a colheita ou vindima. Dela depende a qualidade do vinho que vamos obter. Diz-se que de uma uva má não dá bom vinho, mas pelo contrário, se temos uma uva boa podemos obter um mau vinho.

Um dos fatores que dita de forma decisiva a qualidade da uva é, precisamente, a época da vindima.

Passos para chegar à vindima

Durante o processo de maturação, a uva vai-se transformando. Cumpre um ciclo vegetativo que se inicia com o despertar dos rebentos, após um repouso de aproximadamente 120 dias. Depois vem a floração, que acontece entre o final do Inverno e o inicio da Primavera. A flor é convertida em fruto e começa a amadurecer.

A maturação do fruto começa quando o grão, ou bago, muda a sua cor de verde a vermelho, no caso de uma variedade tinta e, a amarelo no caso da uva branca, terminando quando chega ao estado maduro.

Durante este período o bago vai engordando, acumulando açúcar e perdendo acidez. Quando alcança o seu maior diâmetro e a máxima concentração de açúcar, chega a denominada maturação fisiológica, e é então que se recolhe.

Se a uva permanece muito tempo na planta produz-se uma sobrematuração, que acontece quando o fruto vive das suas reservas, perdendo água e concentrando o sumo.

Por vezes a colheita realiza-se na altura da maturação industrial, que nem sempre coincide exatamente com a fisiológica: é o momento em que é conveniente cortar por várias razões, seja por uma questão de produção ou porque se espera uma mudança climática que pode impedir a colheita, ou ainda por outras razões conjunturais.

Decidir qual a época de cortar

Ao decidir quando se fará a colheita, deve-se ter em conta o aspeto da uva, o seu estado de saúde, conteúdo em açúcar e acidez necessário, cor das partes lenhosas e também o facto de se ter efetuado um seguimento a todo o ciclo vegetativo, durante os meses prévios à maturação.

É apenas com todos estes fatores que poderemos escolher, com conhecimento, a altura de cortar e obter desta forma a melhor uva possível, ou seja, a condição imprescindível para elaborar um bom vinho.

 

A cor dos vinhos

 TAGS:Ao começar a degustação de um vinho, o primeiro que se toma em consideração é a cor dele, a sua aparência, o visual. Para apreciar a sua tonalidade da melhor forma o ideal é sob luz natural, dado que a luz artificial pode ser bastante enganosa.

É verdade que para muitos a luz das velas, sobre um fundo branco, pode ser conveniente para reconhecer uma tonalidade, porém, no caso dos vinhos tintos e brancos, a luz do sol é aquela que permite encontrar as subtilezas da tonalidade da melhor forma.

 As mudanças de cor do vinho são devidas a diferentes variáveis, por exemplo a cepa da qual procede, a forma de elaboração do vinho, o tempo que a casca esteve no mosto, o facto de ter sido armazenado em tonéis de madeira ou não, a sua idade e o modo como se conservou o vinho.

A paleta de cores costuma ser muito mais variada nos vinhos tintos do que nos brancos, neles a cor vai desde o púrpura intenso até tons mais castanhos, ou grená e violeta, passando por uma nutrida escala de intermédios: carmim, vermelhão, rubi, cor-de-tijolo, cor-de-telha, etc… Quando se fala destas tonalidades, convém deixar claro que há sempre lugar lugar para o discutir, não existe uma paleta de cores que se possa considerar um padrão a seguir e que permita classificar de forma exata a cor de um vinho, salvo algumas exceções como por exemplo o rubi e a cor-de-telha.

As antocianinas são os pigmentos que conferem o tom vermelho ao vinho, estes encontram-se na casca das uvas pretas e são extraídos através do álcool. É de acordo com o período de tempo que estas cascas estão em contacto com o mosto, que se obtém uma cor mais ou menos intensa. Quando o vinho é novo, o vermelho pode aproximar-se mais ao laranja e com o passar do tempo este acerca-se cada vez mais ao castanho ou à cor-de-telha.

No que diz respeito aos vinhos brancos, as tonalidades são menos e realmente poderia parecer que os vinhos brancos atuais são cada vez mais claros e pálidos, inclusive com um certo grau de transparência que, em outros tempos, seria considerado aquoso.

Aqueles vinhos de que antes podíamos dizer serem dourados já não se vêm por nenhum lado, e ainda bem, pois são estes que se consideram ser de má qualidade devido a falhas na sua elaboração, já que esta tonalidade é consequência de um excesso de oxigénio. Outra das características que não se costumam ver nos vinhos brancos é a turvação que os processos de filtragem atuais eliminaram. Devemos no entanto, deixar claro, que existem vinhos brancos particulares como o Xerez ou a Manzanilla, que podem ter tonalidades douradas e que esse facto não seja devido a um mau processo de elaboração.

Como degustar vinho sem ser provador

 TAGS:Todos aqueles que gostamos de vinho e sentimos uma debilidade pelos seus atributos e sabor requintados, temos um pouco de provadores sem o saber. Os sentidos utilizados para degustar vinhos são a vista, o olfato e o gosto , e evidentemente que não são exclusivos de um provador ou de um escanção. Se bem que chegar a provador passa por muitos anos de experiência e conhecimento através de estudo, também é verdade que chegar a um conhecimento básico da degustação de vinho pode ser consequência de um interesse próprio e experiência de consumo de vinhos.

Como já aqui foi dito no inicio, os pontos base da degustação de vinho são a correta utilização dos 3 sentidos (vista, olfato e gosto). Começando por aqui podemos obter uma degustação de vinho com êxito.

Pegar sempre no copo pelo pé, e colocá-lo à altura dos olhos, para assim poder observar a cor, o brilho e limpeza do vinho. Ao mover o copo podemos ver as chamadas lágrimas, ou pernas, que o vinho deixa nas paredes do copo, desta forma podemos determinar o seu grau de álcool.

O olfato também desempenha um papel fundamental na degustação. Introduzindo ligeiramente o nariz no copo, podemos perceber os chamados aromas, respetivamente,  primários, secundários e terciários, movendo ligeiramente o copo para estender os ditos aromas.

Talvez o ponto fundamental da prova do vinho seja o degustar, pôr à prova o sentido do gosto, girando o vinho pela boca toda, sem deixar que entre ar. O sabor e o corpo são dos pontos mais importantes do vinho.

Ao ouvir a descrição, a prova do vinho até pode parecer fácil, mas sem os conhecimentos adequados, os passos que antes citamos não servirão de nada. Tal como em tudo, a experiência é muito importante, portanto o tempo pode revelar-se um bom aliado nesta tarefa; sempre que bebam um vinho, tomem em conta estas informações e experimentem com vinhos de características semelhantes, isso ajudará a estabelecer pontos de comparação entre dois vinhos.

Também ajuda mergulhar neste tema através de diversos meios de informação, assim como conhecer as características básicas do vinho que se prova, este é o ponto de partida ao provar o vinho. Fazê-lo como amador e por satisfação pessoal pode ser um bom começo para entrar no fascinante mundo do vinho. Queres tentar?

Como escolher um bom vinho

 TAGS:O mais importante ao escolher um vinho é saber que mais caro nem sempre é sinónimo de melhor e que o preço de cada garrafa diz respeito ao processo de elaboração do vinho, não é um indicador de qualidade. Os fatores mais relevantes no preço de uma garrafa são:

  • O maior ou menor cuidado das uvas na vinha.

  • Se houve ou não, envelhecimento em garrafa.

  • Quanto tempo esteve o vinho guardado na adega.

  • Os preços dos materiais utilizados: etiquetas, rolhas, tecnologia, garrafa, etc…

Definitivamente, um vinho novo é diferente, e não pior do que um reserva.

Em relação ao aroma e ao sabor do vinho não existem receitas; como experiência sensorial, a degustação de vinho é bastante subjetiva. Não obstante, pode-se dizer que um vinho branco deve ter uma acidez marcada, que faça salivar pelo menos 3 vezes depois do primeiro gole, além de ser frutado e deixar frescura no paladar. No caso dos vinhos tintos, a elevada acidez não é procurada, exceto se se trata de um vinho armazenado, já que a acidez ajuda a conservar o vinho durante mais tempo. Estas garrafas também não devem produzir uma adstringência que resseque a boca totalmente, pois isso pode indicar, se é de reserva ou armazenamento, que ainda não se encontra preparado para ser bebido, já que esta característica é suavizada com os anos de envelhecimento na garrafa.

De todos os modos, os vinhos não devem ter aromas de mofo ou ranço, e menos ainda se foram produzidos para serem consumidos enquanto novos.

Se estamos perante um grande vinho, veremos que no copo se reflete pelo menos um aspeto de cada etapa da sua elaboração; uma nota vegetal da vinha, um aroma frutado da uva, um toque floral proveniente da fermentação, e o aroma a baunilha ou tabaco, típico da madeira. No entanto, mais além das receitas o seu objetivo deve ser sempre o de seduzir quem o prova, de tal forma, que num futuro não possa resistir voltar a ele.

Outra incerteza é a temperatura a que deve ser servido cada vinho, e ainda que seja uma questão de gosto, os peritos recomendam arrefecer os vinhos brancos leves como o Sauvignon Blanc e o Pinot Grigio a 10ºc, enquanto que os brancos mais densos envelhecidos em madeira, como o Chardonnay ou o Viognier, deveriam ser servidos a 12ºc. Os espumantes e os adamados devem ser ambos consumidos entre 6ºc e 8ºc. Em relação aos tintos, os mais leves e os novos servem-se a cerca de 12ºc, quanto aos tintos encorpados de reserva ou armazenamento devem ser abertos quando estão entre 17ºc e 18ºc, apesar de ser habitual ouvir dizer que se tomam a temperatura ambiente.