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Vinho de uvas híbridas: terá futuro?

As uvas híbridas são utilizadas na produção de vinho um pouco por todo o mundo, mas nem sempre são as preferidas. Por exemplo, em França, estão proibidas para os vinhos classificados, excepto a Baco blanc na destilação Armagnac; a Áustria permite o seu uso na elaboração e venda de vinhos Uhudler, em Südburgenland, mas a sua etiqueta esclarece que tem uma qualidade mais baixa.

Nos Estados Unidos, e apesar dos Invernos rigorosos que suportam estas uvas, nem sempre são bem recebidas pelos consumidores de vinho.

Os híbridos (cruzamentos deliberados entre duas espécies de vide) representam menos de 5% das vinhas mundiais.

Segundo os especialistas neste tipo de vinho, como José Vouillamoz, co-autor da guia Wine Grapes, as uvas híbridas foram criadas para resistir a doenças e às geadas. Para Vouillamoz, o seu futuro é questionável.

O futuro das uvas híbridas

Outras adegas americanas explicam que os híbridos, pela sua natureza, produzem melhores vinhos. E há quem os veja como um sinal dos tempos, já que estamos numa fase em que as pessoas sentem curiosidade por coisas diferentes e experimentais, e é este perfil de consumidor que está disposto a pedir um vinho elaborado com uvas híbridas.

Pelo contrário, em outras zonas, é visto como algo positivo. Determinados vinhos deste tipo têm uma elevada capacidade de resistência aos duros Invernos alpinos, e isto serve a muitos produtores para cultivar através de técnicas biodinâmicas, algo impossível se as uvas utilizadas fossem autóctones mais frágeis.

Embora actualmente o seu futuro não seja claro, porque realmente a sua procura é reduzida, tudo irá depender da introdução de novas uvas, das mudanças de gosto dos consumidores, e mesmo das alterações climáticas, que possam obrigar os produtores a repensar o seu cultivo.

O que sucede na Europa?

A União Europeia não cria impedimentos às autorizações das variedades de uvas híbridas e à sua posterior comercialização. Estes vinhos são vendidos na Alemanha e na Itália. No entanto, em Espanha, o assunto é mais complicado, já que o Governo aprovou (2003) uma Lei da Vinha e do Vinho que especifica que o país apenas pode rotular e comercializar os vinhos procedentes de variedades de uvas da espécie europeia Vitis vinifera pura.