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O vinho mais antigo do mundo: como é?

Os amantes do vinho não procuram apenas notícias para conhecer mais deste mundo, também se interessam pelas curiosidades. Por exemplo: soube-se há pouco tempo que o vinho mais antigo do mundo tem cerca de 8.000 anos. Parece ser que a primeira vinificação do mundo, encontrada nas escavações de Geórgia, data do período neolítico, por volta de 6000 a.C.

Os investigadores da Universidade de Toronto e do Museu Nacional de Georgia trabalharam a cerca de 50Km de Tbilisi, a capital georgiana, em dois sítios com vestígios do Neolítico: Gadachrili Gora e Shulaveris Gora. Foram encontrados restos de cerâmica utilizadas entre 6.000 e 4.500 a.C. Os responsáveis por esta investigação acreditam que estão perante o exemplo mais antigo da utilização da videira eurasiática, de crescimento espontâneo, na produção de vinho. Isto porque os jarros encontrados nas escavações foram submetidos a análise e no seu interior encontraram-se restos de ácido tartárico, o composto que permite identificar as uvas e o vinho.

As zonas da escavação, efectuada pela Universidade de Toronto e pela equipa do Museu Nacional da Geórgia, correspondem a duas aldeias datadas do Neolítico.

Os investigadores confirmam que a cerâmica era ideal para armazenar bebidas fermentadas e que foi criada durante o período do Neolítico. Esta equipa explicou também que beber e oferecer vinho era extremamente importante em muitos aspectos da vida da época, especialmente em actos religiosos e celebrações.

Para além de outras conclusões resultantes das análises dos achados, sabe-se agora que a Vitis vinifera abundava nestas regiões, que hoje em dia são grandes produtoras de vinho de alta qualidade, da Itália e do Sul de França.

 

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Piorro Reserva Grande 2009

Os melhores vinhos de Bordeaux

 TAGS:Há pouco tempo analisamos os nossos gostos em relação a vinhos e as diferenças que existem entre os vários países. Ficamos por França e prometemos explicar o porquê da preferência dos franceses em nomear concretamente algumas adegas. Tudo vem de Bordeaux e há já muitos, muitos anos…

O que é evidente é que o modo americano de selecionar vinhos (por tipo de uva) não é eficaz e França, onde a maior parte das adegas elaboram vinhos com vários tipos de uva simultaneamente. A classificação espanhola (por denominação) tem um resultado pouco exato num país onde existem 20 regiões vitivinícolas , denominações genéricas, regionais, municipais e inclusive denominações que correspondem a uma única adega. Só em Bordeaux existem 57 AOC (o equivalente ao DO), tantas como em toda a Espanha.

Não é um problema novo: França é o primeiro país produtor de vinho, praticamente desde que existem registos sobre o tema. Durante a Idade Média, quando as guerras entre países e as invasões bárbaras faziam com que a agricultura fosse uma profissão de risco (que obrigava a população a permanecer no mesmo território, até à seguinte colheita), o cultivo da vinha ficava a cargo dos mosteiros, alheios às revoltas mundanas. França, é o país onde as ordens religiosas, como a de Císter têm mais arreigo, estas forneciam o vinho às paroquias de meia Europa, assim como aos altos dirigentes.

Bordeaux iniciou a sua tradição exportadora sendo o fornecedor n º1 de vinhos a Inglaterra, país do qual formou parte até à guerra dos 100 anos. Ganhou vantagem sobre outras zonas de França, já que para além de formar parte de Inglaterra, detinha o controle da desembocadura do Garona, por onde eram transportados os vinhos de Languedoc e outras zonas competidoras.

Controlando o rio e aplicando leis como a de ?La police des vins?, Bordeaux impedia as restantes zonas de competir em condições de igualdade, já que essa lei impedia vender os seus vinhos em Bordeaux, com destino a Inglaterra, até ao primeiro dia de Dezembro, quando os vinhos de Bordeaux já tinham conquistado o mercado.

A primazia de Bordeaux e a quantidade de subzonas e adegas (mais de 3.000) que possui é de tal ordem que, em 1855 e com a celebração da Exposição Universal de Paris, Napoleao III decidiu promover uma classificação dos vinhos de Bordeaux. O objetivo era o de tornar pública a qualidade dos vinhos, em função do prestígio e história dos seus Châteaus, tratando de oferecer confiança ao comprador para que este soubesse que aquilo que pagava correspondia à qualidade do que comprava. Nem todo o Bordeaux era bom, de modo que não podia haver um valor igual para todos os vinhos. As adegas com maior projeção seriam os Premier Cru, seguidos dos Deuxième, Troisième, Quatrième y Cinquième Crus. Assim, um vinho elaborado por um Château Premier Cru seria seguramente melhor (e mais caro) do que um segundo, ou Deuxième Cru.

Parece uma classificação sensata e sobretudo porque foi realizada de forma rigorosa, atribuindo a denominação honrosa de Premier Cru somente a 4 adegas: Château Lafite, Rothschild, Château Latour, Château Margauxe, Château Haut-Brion. Em 1973 uniu-se-lhes Château Mouton Rothschild. Tal como já referimos, foi o consolidar da confiança do consumidor nas adegas que, tradicionalmente tinham criado os melhores vinhos.

De aqui vem a ideia, que ainda perdura, de selecionar os gostos em função da marca ou da adega. Qual é o senão que podemos encontrar nesta classificação? Em 1855 não era viável para um comprador de vinhos, ter acesso a um guia com as classificações anuais. O habitual era deixar-se guiar pela tradição de uma adega, porém isso penalizava enormemente as adegas mais pequenas, que, ainda que melhorassem a qualidade dos seus vinhos, não subiam a nível de classificação. A classificação de 1855 não sofreu revisões, o que muito se deve ao medo à polémica que poderia causar uma modificação deste tipo, que, para muitas adegas marcaria claramente o limite entre obter êxito ou fracasso.

A lista final desta classificação incluiu apenas os vinhos do Alto Médoc e de Sauternes, à exceção de Haut-Brion de Graves e este facto não fez senão acentuar ainda mais a diferença entre Bordeaux e as restantes zonas. Um Premier Cru de Bordeaux não é o Premier Cru de toda a França, mas assim o parecia e por isso conseguia atingir um preço de venda muito mais alto do que os restantes. Rapidamente, outras zonas imitaram a classificação, e ainda que com distintos critérios a fama destas adegas cresceu notavelmente em relação às outras. Inclusive tantos anos depois e após muitas destas adegas terem mudado de mãos, de localização ou de qualidade, o poder dos nomes continua a ser impressionante. Esse é o poder que impede uma revisão da classificação: ninguém quer arriscar com medo de a piorar.

A proposta que vos deixamos hoje, diz respeito a um jogo: Se tivessem que escolher 4 Premier Cru de Portugal pela qualidade dos seus vinhos ao longo dos anos, quais seriam? Seriam as adegas que hoje fazem o seu melhor vinho?

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