A origem do vinho do Porto

 TAGS:A Grã-Bretanha não trouxe a fama apenas ao chá e ao whisky. Apesar de praticamente não produzir vinho, deu grandes contributos ao desenvolvimento da vitivinicultura mundial: foi quem descobriu o vinho Porto. A história desta bebida portuguesa começa vários séculos antes, porém, foi no séc. XVII que os ingleses o impuseram ao resto do mundo. A Grã-Bretanha estava em guerra com França, o que obrigou a Coroa a decretar o embargo dos produtos provenientes desse país. Foi ao empreender a busca de vinhos de qualidade, para substituir os vinhos gauleses, que os seus súbditos depararam com aquela bebida diferente, de graduação alcoólica superior ao habitual e um sabor seco ou doce, que surpreendia os mais exigentes.

O seu segredo residia em adicionar vários litros de brandy por barril durante a fermentação, de forma a conservar uma parte do açúcar natural da uva.

O interesse que o Porto despertou em Inglaterra, fez com que muitas inversões desse país se estabelecessem na zona que rodeia a portuguesa cidade do Porto, dando um grande impulso à vitivinicultura da região.

Algumas destas caves conservam ainda os apelidos anglófonos dos seus fundadores: ?Croft?, ?Offley?, ?Graham?, ?Sandeman?, ?Dow?, ?Warre?.

 Nos meados do séc. XVIII, o vinho do Porto recebeu o impulso definitivo quando a Coroa portuguesa criou legalmente a atual Real Companhia Velha, a cave de produção mais antiga do Porto. Imediatamente depois, entre 1758 e 1761, delimitou a região de produção de vinho do Porto, que fez nascer a denominação de origem mais antiga do mundo, anterior à dos vinhos franceses. A partir dessa data foram estabelecidos os métodos de elaboração ainda hoje respeitados.

 Os vinhos, elaborados a partir de mais de 12 variedades de uva branca e preta, são fermentados nas caves localizadas no Alto-Douro, em Portugal, perto das vinhas que cobrem os socalcos nas encostas. Uma vez desenvolvida a fermentação, quando as leveduras ainda não consumiram o açúcar totalmente, adicionam-lhe brandy (álcool de vinho) impedindo deste modo que a fermentação prossiga e o sabor doce persista. Uma vez terminado, o Porto é transportado rio abaixo, para envelhecer nas caves de Vila Nova de Gaia, frente à Cidade do Porto e próximo do Oceano Atlântico.

A Sangria

 - Regra geral, o vinho não deve ser misturado. Não obstante, com alguns vinhos, temos licença para misturar, já que são perfeitos para obter um bom cocktail, tal como a sangria.

Na verdade, existem poucos cocktails feitos à base de vinho, sobretudo se estabelecemos uma comparação com o número de cocktails obtidos com outros licores, porém, os existentes são requintados e constituem o acompanhante perfeito para algumas ocasiões.

Sangria

A sangria é um cocktail de vinho de origem espanhola, que em muitos lugares da Península Ibérica é conhecida também como Cuerva. A sua preparação é tão simples como variada. Uma sangria é, basicamente um ?ponche de vinho?, ou seja, o resultado de misturar vinho tinto com um sumo cítrico, frutas e por vezes um pouco de brandy ou outro licor com características semelhantes.

Receita de sangria:

Preparação de Sangria:

  •  Deitar o vinho numa jarra grande.
  • Adicionar o sumo do limão e das laranjas.
  • Juntar o açúcar e a canela em pó e mexer até ficar bem misturado.
  • Juntar as frutas cortadas em quadradinhos.
  • Adornar com rodelas de limão e servir com gelo.

Os vinhos recomendados para esta preparação, são, sem dúvida, os vinhos tintos secos de mesa, no entanto também podem ser utilizados vinhos brancos. Um vinho de mesa semi-seco também é uma boa opção, mas o sabor doce deve ser levado em conta, e se for o caso evitar o açúcar.

É habitual adicionar-se uma bebida branca com gás, que pode ser de limão, laranja, ou mesmo ginger ale. Outro dos segredos de uma boa sangria, é a substituição do açúcar por xarope de groselha.

Habitualmente esta bebida refrescante é consumida no Verão, ainda que haja exceções, já que um bom copo de sangria é sempre bem-vindo.

O nosso conselho é o de que experimentes diferentes formas de preparação, assim como diferentes ingredientes e variáveis, até encontrares a sangria de que mais gostas. Depois, é claro que podes partilhar connosco a receita da tua sangria preferida. ; )

O vinho tinto contra o enfarte e o cancro

 TAGS:Estudos recentes confirmam o efeito protetor das uvas e do vinho tinto sobre os problemas de coração e atribuem-lhe ainda mais uma vantagem: a prevenção de tumores. Qual é a chave? Os flavonóides,  substâncias também presentes no chá e em algumas verduras.

O Deus Baco, ou Dionísio, daria saltos de alegria se soubesse que a ciência descobriu  finalmente o poder das uvas tintas e do vinho tinto sobre a prevenção de enfartes, ataques cerebrais e alguns tumores. Descobriram-se as propriedades antioxidantes das sementes das uvas utilizadas na fabricação do vinho tinto. As sementes contêm flavonóides, também presentes em algumas verduras (especialmente nos brócolos, repolho e couve-flor), na maior parte das frutas e no chá.

Os flavonóides explicam o porquê do vinho tinto ter sido indicado (sempre que se consuma um máximo de dois copos diários) como protetor do coração, do cérebro e das artérias. Estas substâncias podem ajudar pacientes com diabetes, arteriosclerose, cirurgia de by-pass e transplantes de fígado, através da sua ação antioxidante e antitóxica.

Os flavonóides, tal como outros antioxidantes como o selénio, o zinco, betacaroteno, vitaminas C e E, são hoje em dia prescritos de forma a prevenir problemas cardiovasculares e a retardar o aparecimento de tumores e cataratas oculares. Também são habitualmente utilizados no combate ao stress agudo ou crónico, na exposição excessiva aos raios solares e em situações de sobrecarga de medicação para o fígado.

Em relação aos antioxidantes do vinho, uma das últimas investigações indica que beber dois copos de vinho por dia reduz a mortalidade por problemas cardiovasculares num 35%, e um 20% nas causas de cancro. Um 20% do ar que se respira é oxigénio e 1% do gás absorvido pelo organismo é transformado em radicais livres compostos, que bombardeiam as células e provocam diferentes modificações negativas, como a transformação do colesterol na substância básica das placas obstrutivas das artérias. Os antioxidantes neutralizam os danos causados pelos radicais livres do oxigénio.

Por esta razão, os médicos costumam receitar antioxidantes a partir dos 35, 40 anos, especialmente a pessoas com diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, antecedentes hereditários de problemas cardiovasculares e colesterol elevado. Também se receitam a pacientes com angina de peito, insuficiência vascular cerebral e enfarte.

Também parece, que devido à falta de tempo dos nossos dias para realizar uma alimentação equilibrada, os suplementos antioxidantes terão uma forte presença no mercado, de modo a aumentar a esperança media de vida. De forma que comprem vinho e tomem um bom copo de tinto! Saúde!

Os aromas das uvas brancas

 TAGS:As clássicas perguntas daqueles que se aproximam ao mundo da degustação são normalmente sobre os aromas do vinho. A que cheira este vinho? A que deveria cheirar? Que cheire a uma coisa ou outra, é bom ou mau?
Se alguma vez viste em filmes, o sketch clássico em que um conhecedor é capaz de descobrir a colheita, a uva, a zona, a marca e inclusive se nesse ano o guarda da quinta tinha ficado constipado em Outubro, não podes evitar sentir frustração quando ao cheirar um vinho não saibas identificar nada disso. Na verdade, no inicio, o mais normal é que nem sequer saber exatamente a que cheira o vinho que se está a provar.

No meu caso, a transição foi bastante mais natural. Provava um vinho, e se gostava via a etiqueta e procurava memorizar o nome. Mais tarde comecei a reparar também no tipo de uva. Nos vinhos monovarietais, pouco a pouco, fui encontrando coincidências entre um vinho de Chardonnay, por exemplo, e outro da mesma uva. Assim, fui reconhecendo os aromas que emanam de cada uva. Ainda não era capaz de nomear o aroma mas já sabia a diferença entre um Macabeo e um Riesling.

Recomendo sempre começar a degustar com vinhos brancos, porque têm uma maior gama de aromas (floral, frutado, vegetal, mel…) que a existente nos vinhos tintos, e que  além disso podem incluir os aromas do envelhecimento em barril.

Por fim, num curso de degustação, forneceram-me os nomes adequados às impressões que recebia e desta forma comecei a ser considerado provador, ainda que, prefiro pensar que sou apenas um apaixonado por vinhos.

As uvas têm um odor diferente? Sim, tal como o sabor de um tomate coração-de-boi é diferente de um tomate italiano. Porém, se tomas um gaspacho com os dois tipos de tomate misturados será difícil distingui-los. Se estás interessado em aprender a degustar, experimenta começar com vinhos monovarietais, de forma a aprender a reconhecer cada uva separadamente.

Que cheire a uma coisa ou outra, é bom ou mau? Depende se tu gostas desse aroma ou não. Existem vinhos brancos, fiéis ao aroma genérico da uva, porque a cave responsável quer mostrar essa uva no seu melhor. No entanto existem outras caves (ou os seus enólogos) que produzem vinhos completamente diferentes, nos quais é difícil reconhecer a uva, já que aquilo que pretendem ressaltar é o carácter único e a diferença da sua colheita ou pretendem mostrar que são capazes de conseguir novos aromas da mesma variedade. Tudo é aceitável se aprecias o resultado.

A que deveria cheirar um vinho branco? A saber… Ao longo da história foram marcados padrões relativos aos aromas dos vinhos, aqueles que normalmente estão presentes em cada tipo de uva. Mas não é a mesma coisa uma Gewürztraminer cultivada em La Mancha, e outra cultivada na Áustria. Inclusive na mesma vinha, à medida que as cepas envelhecem ou que os fatores externos mudam (aquecimento global, técnicas novas de prensado, contribuições dos enólogos), os vinhos vão transformando os seus aromas.

Por último, é necessário ter em conta que um vinho de uva verde nunca terá o mesmo cheiro de um vinho de uva passa. Parece lógico, não?

O padrão para uvas brancas é aproximadamente o seguinte:

  • Chardonnay: Maçã verde, limão,toranja, ananás, melão, banana,…

  • Riesling: Maçã verde, cítricos, marmelo, fumados, apimentados, petróleo,…

  • Gewürztraminer: Rosa, gardénia, lichia, manga, pêssego,…

  • Macabeo / Viura: Frutos verdes, maçã, flores brancas, vinho,…

  • Moscatel / Muscat: Existem tantas variedades de moscatel como aromas. Além de tudo, quando se trata de vinhos monovarietais, é habitual usar a uva sobre amadurecida, frutas geladas, mel, pétalas secas de rosa, flor de laranjeira, pêssego em calda,…

  • Sauvignon Blanc: Frutas maduras, fumados, espargo, pimento verde, maracujá,…

  • Alvarinho: Maçã dourada, mel, alperce, florais,…

  • Airén: Banana, ananás, feno, cevada, alfazema,…

  • Malvasía: Fruta branca, limão, pêssego, ameixa,…

  • Palomino: Lima, amêndoas amargas, anises, salinos, balsâmicos,…

  • Verdejo: Frutas brancas, erva verde, manga, melão, funcho,…

Pode ser que um vinho de alguma destas uvas cheire a outra coisa? Evidentemente que sim. Além de mais o nome do aroma deve ser aquele que tu identificas. Em alguns apontamentos de degustação podem mesmo chegar a ler-se aromas como: ?orvalho de uma manhã de Outubro?, ?lençóis acabados de lavar?, ?maçã vermelha cortada ao meio?, ?padaria em produção?. Parecem absurdos mas se os lês atentamente de certeza que te recordarás de algum aroma.

Como sabemos se um vinho que cheira a maçã, é um Chardonnay, Riesling, Macabeo, Alvarinho, ou de outra uva? Pois, porque os aromas não são exclusivos. O mesmo vinho apresenta vários aromas ao mesmo tempo, de forma que devemos tratar de identificar outros aromas, no copo, que nos possam ajudar a decidir. Mais do que um conselho, é uma obrigação para quem gosta de vinho: provar, provar e provar.

Vinhos da África do Sul

 TAGS:A primeira elaboração de vinho foi realizada em Fevereiro de 1659 na África do Sul. No inicio não foi fácil, já que os colonos holandeses praticamente não tinham conhecimentos sobre o cultivo da uva e a produção do vinho. A salvação do vinho do Norte deu-se entre 1680 e 1690, quando, à Cidade do Cabo, chegou um grupo de refugiados franceses, os huguenotes, que levavam consigo a tradição vitivinícola francesa e a adaptaram às condições da região. Os primeiros obstáculos que tiveram de ultrapassar foram a grande variedade de climas e solos da Cidade do Cabo, aliados à falta de mercados para exportar o vinho. Este último ponto solucionou-se por si mesmo. Na primeira metade do séc. XX, a ocupação inglesa abriu o mercado mais importante à África do Sul: o inglês.

Sucederam-se numerosas alterações climáticas, económicas e políticas, incluindo a filoxera, porém ao longo deste século, a indústria do vinho da África do Sul foi-se consolidando, melhorando a qualidade dos seus produtos e produzindo alguns dos mais famosos vinhos do mundo.

Variedades de vinhos sul-africanos

Na África do Sul encontram-se as variedades de uva mais comuns do mundo, Chardonnay, Gewürztraminer, Pinot Gris, Sauvignon Blanc, Semillón, Ugni Blanc, Cabernet Franc,Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Shiraz e inclusive outras variedades não tão comuns na mesma região.

As variedades mais fora do comum:

Branca:

  • Cape Riesling, uma das maiores variedades da África do Sul, identificada como o Crouchen Blanc francês.
  • Chenel, cruzamento local entre Chenin Blanc e Ugni Blanc.
  • Chenin Blanc, também conhecida como Steen, produz vinhos frescos, frutados, fáceis de beber.
  • Clairette Blanche, uma das variedades sul-africanas preferidas, oferece vinhos de baixo teor alcoólico e baixo nível de acidez. Ainda que não se use  para elaborar vinhos monovarietais, é um constituinte fundamental de muitos vinhos.
  • Há ainda a  Bukettraube, procedente da Alemanha, Colombard, Emerald Riesling, Muscat de Alexandria, a que chamam Hanepoot. Muscadel, Palomino, Rhine e Riesling.

Tintas:

  • Cinsaut, uma variedade versátil, antes conhecida como Hermitage, mas cuja área de cultivo diminui dia-a-dia.
  • Pinotage, cruzamento local entre Pinot Noir e Cinsaut (Hermitage), que produz vinhos encorpados e frutados. Necessita 2 ou 3 anos para alcançar a sua plenitude.
  • Souzão, variedade originariamente procedente de Portugal que produz vinhos de excelente intensidade de cor.

Outras variedades tintas: Gamay Noir, Muscadel Red, tinta Barocca, Zinfandel.

Os 8 benefícios do vinho tinto para a saúde

 - O vinho é uma das bebidas alcoólicas mais antigas do planeta. A sua história prolonga-se há milhares de anos, e ainda que qualquer bebida alcoólica bebida em excesso provoque uma enorme quantidade de problemas de saúde em lugar de benefícios, a investigação atual indica que um copo de vinho tinto por dia pode proporcionar algo mais do que momentos de relaxamento.

  • Redução do risco de morte para quase todas as causas: Os investigadores europeus indicam que o consumo diário, moderado, de vinho tinto (22-32g de álcool) tem em efeito protetor sobre a mortalidade por qualquer causa. Segundo os estudos realizados por França, Reino Unido, Finlândia e Dinamarca, o consumo de vinho é mais vantajoso que o da cerveja ou de outras bebidas espirituosas.
  • Tabagismo: Fumar muito entorpece seriamente a capacidade natural de vasodilatação dos vasos sanguíneos. O vinho tinto, com ou sem álcool, diminui o efeito nocivo do consumo do tabaco no endotélio ? capa de células que proporciona uma redução de fricção no revestimento dos vasos linfáticos, dos vasos sanguíneos e no coração.
  • Doenças de coração: Uma das mais conhecidas e estudadas vantagens do vinho tinto é o seu efeito protetor do coração. O consumo moderado e regular de vinho tinto pode ser uma prevenção frente à doença cardíaca coronária. Os homens da ciência acreditam  que o vinho tinto reduz o risco de doença coronária, mediante a redução da produção de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e a impulsão da lipoproteína de alta densidade (HDL).
  • Coágulos sanguíneos: O vinho tinto produz uma ação anticoagulante ou antitrombótica. Os consumidores esporádicos ou moderados de vinho, têm um menor nível de fibrinogénio (proteína) que proporciona a formação de coágulos sanguíneos.
  • Arteriosclerose:O vinho tinto pode prevenir o inicio e a progressão da arteriosclerose (endurecimento das artérias). A arteriosclerose aparece quando os vasos sanguíneos começam a perder a sua capacidade de se relaxar. Tanto o álcool como os polifenóis presentes no vinho tinto, parecem favoráveis quanto a manter os vasos sanguíneos saudáveis através da promoção de formação de óxido nítrico (NO), substância química fundamental e fator de relaxamento que tem um papel importante na regulação do tónus vascular.
  • Hipertensão: O consumo excessivo de álcool é geralmente considerado um fator de risco para a hipertensão. No entanto, existem algumas provas dos efeitos favoráveis do vinho tinto sobre a pressão arterial. Dois copos de vinho tinto (250ml) à refeição, baixam a pressão arterial em pessoas hipertensas, após a mesma refeição.
  • Cálculos renais:A ingestão de vinho tinto reduz o risco de formação de cálculos renais (pedras nos rins).
  • Alzheimer: O consumo moderado de vinho está correlacionado com um menor risco de padecer a doença de Alzheimer. Os investigadores descobriram que o resveratrol, um polifenol presente no vinho tinto, produz efeitos neuro-protetores.

Deste modo, apesar da minha conclusão não incluir uma declaração genérica em que vos digo que se deve beber vinho diariamente, pode valer a pena experimenta-lo se a tua situação atual encaixa em alguma das situações de risco descritas anteriormente. Todos a comprar vinho!

Harmonizaçao de vinhos: 5 conselhos básicos

 TAGS:A harmonização de vinhos pode parecer uma experiência esmagadora quando se é o anfitrião do jantar. Os entusiastas do vinho e os peritos, durante anos dominaram a capacidade de combinar um determinado prato com um vinho substancial. Porém na verdade, a harmonização do vinho não é equivalente à ciência moderna dos nossos dias. Aquilo que necessitas são apenas algumas indicações básicas sobre o vinho, de forma a criar uma harmonia de sabores no teu próximo jantar. Aproveita estes conselhos de harmonização de vinhos!

Antes de abordar a tarefa de decidir que vinho escolher, é importante compreender os sabores que se encontram naturalmente no vinho. A elaboração do vinho é um processo muito pormenorizado, e uma das partes vitais de obter a sua essência encontra-se nas diferentes castas de uva. Os sumos de uvas,  prensadas nas primeiras fases de elaboração do vinho, são combinados com levedura para produzir álcool e dióxido de carbono. É durante este processo de fermentação que se extraem e desenvolvem os sabores de um vinho.

Apesar dos produtores de vinho se orgulharem da complexidade dos vinhos que produzem, eles possuem sabores muito básicos, começando porque dependem do tipo de uva utilizada. Quanto ao sabor, o vinho pode ser doce, ou ácido, este geralmente é classificado como vinho ?ácido?. Outros vinhos são amargos e deixam uma sensação de língua ?encortiçada?. A utilização de álcool e de sal na cozinha também podem afetar o sabor de um vinho. Os vinhos que possuem um alto teor de álcool tendem a ser mais encorpados. Porém, geralmente é o processo de envelhecimento do vinho o que desenvolve completamente o seu bouquet.

Ouve-se falar frequentemente da associação com os taninos do vinho, vinhos especialmente tintos. Os taninos derivam de substâncias orgânicas como as grainhas da uva, utilizadas na fabricação do vinho. O grau de força que podem atingir os taninos no produto final, pode depender de como é prensada a uva nas primeiras fases da elaboração do vinho. Os taninos são mais fortes nos tintos novos mas geralmente abrandam com a idade, e não só ajudam ao processo de envelhecimento, como também podem afetar bastante o sabor de um vinho. Por esta razão, os vinhos muito tánicos são envelhecidos durante grandes períodos de tempo. Este tipo de vinhos, quanto mais tempo envelhece, mais sabor e corpo tem quando se abre. Quando se trata de harmonização, deves saber o quanto esse vinho é novo e tánico, pois ele desempenhará um papel importante no que escolheres para servir aos teus convidados.

A harmonização deve ter em conta o sabor do que vais servir, se o planificas antecipadamente pode implicar o jogo de escolher um vinho para acompanhar um determinado prato. Os conselhos básicos que se seguem proporcionam-te o conhecimento que necessitas para tomar as decisões adequadas.

  • Harmonização de vinhos, conselho nº1: Encontra um vinho que gostes de beber

Em primeiro lugar, quando queres combinar um vinho com um prato, encontra um que normalmente tenhas prazer em beber. Não te preocupes pela ?qualidade? de um vinho, ou pela sua classificação nas revistas mais recentes sobre vinhos. Independentemente do que os peritos classifiquem como os melhores vinhos, o vinho deve ser aquele que tu gostas de beber.

Quando encontras um que te agrada, guarda a rolha, ou anota a informação da etiqueta, para o poderes voltar a encontrar em outra ocasião. Na verdade, é assim como muitos dos amantes de vinho encontram os seus vinhos mais apreciados.

A harmonização de vinho é uma experiência sensorial total, que vai desde o sabor que o vinho e os alimentos despoletam na boca, até aos aromas que invadem a sala ao decantar o vinho e ao servir os pratos.

  • Harmonização de vinhos, conselho nº2: Os vinhos suaves são servidos antes dos vinhos encorpados.

A regra básica para a harmonização do vinho consiste em servir primeiro os mais suaves e depois os mais encorpados, ou seja mais tánicos. Normalmente, os mais suaves costumam ser vinho branco como Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Chardonnay e espumantes. Também existem alguns tintos de corpo suave, como por exemplo o Pinot Noir, que também se pode servir no inicio da refeição. Os vinhos mais lsuaves podem ser combinados com saladas, sopas ou aperitivos. Ao servir pratos de aves de capoeira, ou de peixe geralmente utiliza-se um vinho branco ou um tinto suaves.

Os pratos mais pesados, de carnes vermelhas e cabrito, merecem vinhos mais ricos e espessos, tais como o Bordéus, Cabernet, ou inclusive um Borgonha francês. As sobremesas, dependendo da quantidade de açúcar que levem, podem ser servidas com vinhos brancos frios, como o Sauternes, ou com um Porto.

  • Harmonização de vinhos, conselho nº3: Quando o prato for de cozinha regional deves combina-lo com vinhos da mesma região.

Os vinhos são desenhados e produzidos para se vincularem aos alimentos. Que melhor forma de obter uma experiência regional completa, de uma determinada cozinha, se pode conseguir senão combinando-a com um vinho da mesma zona? Os produtores de vinho de todo o mundo criam vinhos preparados com os mesmos ingredientes disponíveis para a alimentação de uma dada região. O solo pode proporcionar especiarias únicas, em regiões especificas do mundo, aplicadas como ingrediente principal tanto na produção de vinho, como na preparação dos alimentos.

Chega mesmo a ser divertido descobrir como se fundem bem, os sabores e os temperos quando se encontram combinados à sua cozinha regional. Se estás a confecionar um prato francês  irresistível, com molhos delicados e carnes saborosas, opta por vinhos franceses. Molhos suaves podem ser servidos com um vinho branco ou tinto de Borgonha, enquanto que os molhos mais pesados se podem combinar com um Bordéus bem encorpado. Os italianos, por exemplo, orgulham-se dos vinhos que produzem e criaram molhos perfeitos para massas, de forma a harmonizar com um vinho em particular.

Se te decides por pratos de massas da cozinha do Norte de Itália, ou pela cozinha regional da Toscana, podes encontrar alguns vinhos italianos de sabor adequado em qualquer loja de bebidas ou garrafeira.

  • Harmonização de vinhos, conselho nº4: É importante encontrar um equilíbrio na harmonização de vinho.

Quando combinas um vinho com um prato, deves estar atento à complexidade dos pratos que serves aos teus convidados. Os sabores e os alimentos extremamente complexos devem ser combinados com vinhos de sabores simples, enquanto que os vinhos de sabores complexos devem acompanhar pratos simples, mas saborosos.

O tipo de comida que sirvas pode transformar o sabor de um vinho, já que as especiarias naturais utilizadas em cozinha podem destacar ou dominar um vinho. Por isso é importante saber o que se vai cozinhar antesde escolher os vinhos que se vão servir. Os ácidos e taninos de um vinho podem interatuar com o tempero utilizado nos molhos ou com os sabores naturais das carnes.

Quando procuras o equilíbrio entre um prato e um vinho, tem em conta a questão dos sabores opostos, como o doce e o picante. Por exemplo, os pratos picantes da cozinha tailandesa, e alguns espanhóis, podem ser servidos com vinhos adamados para ajudar a equilibrar o calor associado a este tipo de pratos.

  • Harmonização de vinhos, conselho nº5: Aprende a combinar vinhos e queijos.

Combinar vinho e queijo é uma prática secular. É habitual vermos servir um prato de queijos no decorrer de uma refeição, como parte constituinte que é, do banquete. No entanto, alguns queijos podem ter um sabor dominador, que deve ser suavizado com um vinho particular. Decidir que queijo servir pode depender do vinho que tens à tua disposição.

Si estás a começar desde 0, decide-te pelo teu vinho favorito, ou pelo queijo que gostarias de servir, e  então escolhe o companheiro adequado para ele. Tal como o vinho, os queijos podem ter uma enorme variedade de sabores. Um queijo mais picante, como o queijo-azul, deverá ser acompanhado com vinhos adamados que ajudem a esbater o impacto deste tipo de queijos. Os queijos delicados ou suaves, como o Cheddar, podem ser combinados com tintos suaves.

O queijo de cabra pode parecer impossível de combinar, devido ao seu aroma e sabor, no entanto, ao acompanha-lo com um vinho branco seco encontraremos uma agradável experiência. A maioria dos queijos moles pode ser combinada com praticamente todo o tipo de vinhos, incluindo grande parte dos espumantes e champanhes.
Seguindo simplesmente estes conselhos de harmonização de vinhos, já podes atrever-te ao jogo de selecionar os vinhos perfeitos para acompanhar um jantar. Quantos mais pratos sirvas aos teus convidados, maior variedade de vinho necessitarás para acompanhar cada um deles. Sejam oito pratos diferentes, ou simplesmente hambúrgueres, podes encontrar o vinho perfeito. Com um pouco de preparação, podes converter o teu jantar numa agradável obra maestra de harmonização de sabores para todos.

Comprar vinho por Internet

 TAGS:Comprar vinho por Internet ainda é algo que surpreende a mais de um utilizador. Muitos conhecidos meus, amantes de vinho e compradores habituais nas enotecas ou supermercados, dizem-me que jamais compraram vinho por Internet. Dentro da nossa tarefa do dia-a-dia na Uvinum, está também a de divulgar a nossa experiência e de apregoar as vantagens que tem a Rede, sobre canais mais tradicionais.

Comprar vinho por Internet já é uma realidade. Nos E.U.A. já representa mais de 8% do mercado B2C, o que equivale a mais de 2.000 milhões de dólares. Na Europa, as vendas de vinhos por Internet crescem de ano para ano mais de 10%, ainda que seja verdade que em Espanha, os consumidores não souberam ver ( e provavelmente as empresas não souberam educar convenientemente o utilizador) as cómodas vantagens de comprar por Internet.

Como tal, creio que é correto fazer um processo de reflexão sobre quais os pontos-chave a ter em conta no momento em que te decides a comprar um vinho numa enoteca ou num supermercado, por exemplo. Nós fizemos vários debates com gente do sector (e gente fora dele) e estes são os pontos que mais se destacaram no momento de tomar uma decisão para comprar um determinado vinho:

  • Receber uma recomendação
  • O preço e a relação qualidade-preço
  • A informação completa sobre o vinho
  • A marca
  • Descobrir um vinho
  • Design/embalagem
  • Uvas
  • E DOC (denominação de origem controlada)

A tudo isto, eu acrescentaria:

  • A amplitude do catalogo
  • Recomendações não influenciadas por um interesse comercial em comprar esse vinho Vs, outro.
  • O conforto de poder comprar o vinho quando assim o desejas (no trabalho, em casa, etc…)
  • Receber recomendações personalizadas
  • Poder comparar entre preços de várias lojas e escolher o melhor preço

Se somar todos estes pontos, todos eles constituem argumentos claros para comprar vinho pela Rede. A Internet oferece todas as opções já aqui expostas, mas, infelizmente, comprar vinho por Internet não é uma realidade massiva na Espanha de hoje em dia.
Do que é que estamos à espera para que não seja assim?
Se no mundo das viagens, a Internet já representa mais de 25% das vendas, dadas as suas evidentes vantagens (sobre uma agência de viagens tradicional), como é que não se passa o mesmo com o vinho?

Para além de tudo isto, existem várias lojas online que estão a desempenhar um trabalho fantástico, como: Vila Viniteca, Aporvino, Grau Online, Ecomprarvino, Wine.com, Chateauonline, 1885.com… Todas elas demonstraram, ao longo do tempo, a sua qualidade como serviço e a sua vantagem como canal de venda.
Por outro lado, quando falo com outras pessoas sobre o tema de venda de vinhos online e as possíveis desvantagens da Rede, algumas dizem-me:

É que por Internet não se pode degustar o vinho…

E é verdade. Na Rede não se pode degustar. Mas por acaso podes fazê-lo num supermercado ou na grande maioria das enotecas?

Em última análise, cada espaço de venda: lojas especializadas; enotecas; supermercados, etc… tem as suas vantagens. O mais importante é difundir a cultura do vinho, e o consumo responsável, para partilhar com a tua família ou amigos.

Recomendamos: Comprar vinho, Cava e Champanhe ao melhor preço em Uvinum.

A origem do vinho

Existem 2 mitos sobre as origens da fermentação. O primeiro é que a cerveja foi ?inventada?, ou mais exatamente descoberta, por acaso. O segundo, que o vinho também foi um acidente. É muito pouco provável que, dado o elegantemente simples, e paralelamente tão complicado, que é o processo de elaboração da cerveja, esta não seja mais do que um acaso.
Com o vinho acontece o mesmo, ainda que é provável que os nossos antepassados tenham observado como os sumos de fruta mudavam quando se decompunham, ou apodreciam, em determinadas condições.

O porquê de ser pouco provável que o descobrimento do vinho fosse um acidente, deve-se ao descobrimento das sementes de uva, ou grainhas, que se encontram abundantemente na parte inferior da Geórgia ? da Rússia. As grainhas foram datadas através do carbono e estima-se que possuam cerca de 7.000 anos de antiguidade. O que faz com que estas grainhas sejam excecionais não é apenas a sua abundância, mas também a sua forma. As grainhas que se reuniram para cultivar diferem das grainhas silvestres na forma e na informação genética.

Todas as uvas contemporâneas cultivadas são hermafroditas, ou possuem as características de ambos os sexos. Isto é devido a que os nossos antepassados da Idade da Pedra tardia, colheram apenas videiras femininas.
As vides da uva, quando crescem livremente, possuem machos e fêmeas. As fêmeas carregam a fruta, enquanto que os machos polinizam. Quando o homem primitivo apareceu em cena, salvou as plantas femininas e reduziu os machos. Com o correr do tempo, apenas as vinhas hermafroditas foram capazes de sobreviver. Uma das sobreviventes das experiências efetuadas com o vinho pelo homem primitivo, chama-se Vitis vinifera, que é a espécie da qual surgiram as uvas de vinho. As pessoas destas primeiras épocas, estiveram suficientemente atentas como para destacar este tipo de uva pelo seu alto conteúdo de açúcar. Sem açúcar não há vinho.

Porque é que a fermentação não foi um acidente? Isto encontra-se aberto a discussão, mas, o vinho, tal como a cerveja, não poderiam ter existido se não tivessem coincidido determinadas condições. Juntamente com o açúcar, é necessário que exista levedura, e a das uvas que os primeiros homens reuniram, aparentemente ao acaso, nos seus diversos tipos, devem ter sido leveduras de origem natural. Hoje, sabemos que algumas destas leveduras de origem natural não são muito boas para o vinho e apenas, como muito, podem chegar à fermentação. Porém, provavelmente tenham feito o trabalho suficiente como para conseguir que o homem primitivo tivesse chegado onde devia, o que, de acordo com as primeiras escritas sobre vinho, foi o lugar dos deuses.

Os 10 mitos do vinho

Somos continuamente enganados por mitos e lendas urbanas. Até à degustação de Paris em 1976, o mito de que França era o único país que podia produzir vinhos de qualidade, habitava a mente dos enófilos. Ainda que seja possível que te rias dos mitos que se seguem, algumas pessoas ainda estão sob o seu engano. Vamos de tratar de esclarecer as coisas.

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10. A fruta utilizada para descrever o vinho foi utilizada ao fazê-lo.

A menos que compres um vinho elaborado com uma fruta distinta das uvas, ele está feito a partir da variedade de uva que vem na etiqueta e não à base dos frutos que se utilizam para o descrever (por exemplo, cereja negra, morango, kiwi). É comparável aos sabores artificiais, ou seja, têm um sabor similar aos que se copiam, mas não contêm o produto real. De forma que, quando vejas ?toques de framboesa, cereja e baunilha? na etiqueta, esta é simplesmente uma descrição do produtor sobre o sabor do vinho em similaridade com estes componentes, que, na realidade não foram utilizados na produção do vinho.

9. É necessário um copo de vinho diferente para cada tipo de vinho.

Novamente, este é um mito que foi desacreditado há já muito tempo. Precisas de um copo em forma de tulipa (flute), ou outro onde o corpo se estreite ligeiramente no topo, de forma a concentrar o aroma no nariz. Porém, as distintas formas de colocar o vinho nas diferentes áreas da língua, ou para que o vinho respire mais rapidamente, não são necessárias. Arranja um com conjunto de copos (Riedel Ouverture Vino tinto, Zinfandel ou uns O-Riedel sem pé) e ganha espaço no teu armário!

8. Não se podem envelhecer vinhos selados com um encerramento diferente.

De facto, os dados demonstram que as tampas de rosca, ou twist-off como lhe chamam por vezes, são mais competentes no selado do vinho do que as rolhas. Um estudo citado na revista Wine Spectator de 31 de Março de 2005 (págs. 59-60) concluiu que as tampas de rosca permitem, em media, 0,001 centímetros cúbicos de oxigénio por dia, contra as tampas que permitiam entrar numa garrafa de vinho de 0,1 a 0,001 centímetros cúbicos de ar. E de facto, 7 das 35 garrafas seladas com rolha permitiram a entrada de 0,1cc! Isso significa que os twist-off são mais coerentes, e com o tempo, deixam entrar menos oxigénio, o que resultaria num maior envelhecimento das garrafas.

A industria das rolhas, sintéticas ou de cortiça natural, gostaria que acreditasses no contrário, mas não é assim, as tampas de rosca vieram para ficar e não terás problemas em deixar que estes vinhos envelheçam.

7. Bordéus, Borgonha, Champanhe, Xerez e Porto são variedades de uva.

Devido a um confuso sistema de etiquetagem, os consumidores de vinho cometem este erro comum. Cidades de França, Espanha, Itália e Portugal, entre outros, limitam a produção de variedades de uva na sua área. Para que uma cave receba a autorização legal e a etiqueta do seu vinho, tem de obedecer às regras da organização que supervisiona a produção local. Isso significa que o Champanhe não é uma variedade de vinho, mas sim o lugar onde se faz o vinho espumante. Pretendes fazer um vinho não espumante na Região de Champanhe e chamar-lhe Cabernet Sauvigon na etiqueta? Não se pode. A mesma coisa acontece com o vinho de Bordéus, que é constituído por uma mescla de diferentes tipos de uva tinta, Borgonha, que é principalmente a partir de Pinot Noir e Porto, que se faz de diferentes variedades de uva tinta e branca.

6. A harmonização de vinho branco com peixe ou frango, e de vinho tinto com carne vermelha.

Ainda que esta é a resposta mais comum à pergunta ?com que vinho  devo combinar a refeição?, é incorreta.

A melhor forma de harmonização da refeição e do vinho é fita através da análise  dos sabores da comida e dos sabores do vinho. Por exemplo, se vais assar um peixesazonalcom um pouco de sal, limão e manteiga, decide-te por umSauvignon Blanc, agradável, comnotascítricas, ou umChardonnaycomsabores a manteiga, será um excelente resultado. No entanto, se o salmão é coberto com molho de amora preta, seria mais adequada a escolha de um tinto frutado, como oPinot Noir, Merlotou inclusive umSyrah. O mais indicado é ler a descrição da etiqueta dos vinhos e então decidir a harmonização por semelhanças. Também é útil saber que os vinhos com taninos firmes se adequam melhor a pratos salgados, ou que os vinhos ácidos necessitam um prato que contenha um sabor ácido, ou ainda, que a melhor forma de combinar a comida picante é com vinhos com um pouco de açúcar residual e não um elevado grau de álcool. Recorda apenas que não existem regras estritas e rápidas para isto.

5. Os amantes de vinho são snobs.

Só apenas as pessoas que vivem em Napa Valley ou de Bordeaux… não, estou a brincar. Na verdade, os amantes de vinho mais sérios são os estudiosos do mesmo e têm os pés na terra. São as pessoas que disfarçam a ignorância com a arrogância quem devem estar atentas. Os verdadeiros amantes de vinho seguem apaixonadamente a sua educação vinícola, e estão dispostos a partilhar os seus conhecimentos e um copo com qualquer pessoa que esteja interessada.

4. Pode-se discernir a qualidade do vinho pelas lágrimas (ou pernas) que deixa no copo.

Fazes girar o teu copo, deixa-lo repousar, e observas que uma fina capa transparente fica pegada na parede interna do copo e que depois começa a escorrer. Por vezes é conhecida como ?lágrimas? ou ?pernas?, e é simplesmente uma pequena quantidade de álcool e água que adere à superfície do vidro, uma vez evaporado o álcool, a água escorre novamente para o fundo do copo. Porquê? A água é um componente principal de um vinho e o álcool evapora-se muito mais rapidamente, de forma que, quando soltas o copo, o álcool evapora-se e a tensão superficial da água aumenta provocando a formação de gotas controladas pela gravidade. Esta não é uma forma de medir a densidade, ou a qualidade do vinho, de modo que não te preocupes.

3.Os vinhos tintos deve beber-se a temperatura ambiente e os vinho brancos, frios.

Esta ideia não é necessariamente má, porém a sua interpretação quase sempre o é. Muitos entendem por isto deixar o vinho tinto fora do frio para que possa chegar à temperatura ambiente atual, e abrir o vinho branco assim que sai do frigorífico. A temperatura ambiente do vinho tinto seriam uns 60 graus Fahrenheit ? temperatura típica de uma ?sala? na altura em que esta ideia se tornou popular. São muitos os profissionais que estão de acordo em que a melhor maneira  de saborear o vinho, se não possuis o luxo de um dispositivo de armazenamento com temperatura controlada, é deixar os vinhos tintos no frigorífico de 5 a 15 minutos antes de os consumir, e de 20 a 30 minutos para os vinhos brancos. Se guardas o teu vinho no frigorífico, retira-o pelo menos 15 minutos antes de o servir, e para os tintos, pelo menos 30. Uma vez mais, não é uma ciência exata, mas de uma forma geral pretendemos cerca de 60 graus Fahrenheit num tinto, uma temperatura um pouco inferior para um branco e ainda um pouco mais para um espumante. Alguns defendem que os matizes não se detetam nos vinhos brancos demasiado frios, o qual é verdadeiro.

2.Todos os vinhos melhoram com a idade

Na verdade, apenas um número muito reduzido de vinhos possui a estrutura adequada para suportar o envelhecimento. A maioria dos vinhos é feita com a intenção de serem abertos dentro de poucos anos. A pequena quantidade de vinhos que acumulam a maioria dos prémios da imprensa, são aqueles que sofreram mais tempo de envelhecimento, e a maior parte das pessoas nem sequer compra estes vinhos. De forma que, se há 10 anos que estás a guardar um Zinfandel branco, porque pensas que ao longo do tempo ficará melhor, pode ser que desejes reduzir já as tuas perdas…

1. Cheirar a rolha de cortiça num restaurante diz-te se o vinho é mau

A rolha cheira a… pois, a rolha e não te vai dar uma indicação da qualidade do vinho. É o vinho que solicita o olfato, a rolha apenas se mostra para um exame rápido. O que deves examinar quando o empregado de mesa te mostra a rolha? Se estás a comprar uma garrafa cara, o mais importante que queres evitar é a fraude. E se procuras um bom restaurante, que saibas que compra em fontes fiáveis. Mas, novamente, esta é apenas uma precaução. Na rolha, aparece o nome da adega, o logótipo ou informação de outras marcas? A rolha foi danificada ou, de alguma maneira permitiu infiltração? Se se trata de uma garrafa mais cara, o ano carimbado na rolha coincide com o ano de colheita do vinho?